Canção de Lisboa

Lisboa, terra que me encanta
Terra das cantigas, e dos arraiais
Lisboa, onde tudo canta
Desde as raparigas, até aos pardais

Cidade jardim, que o Tejo azul vem beijar
Uma saudade, enfim, de te deixar
Cidade de amor, tudo em ti prende e seduz
Até o céu tem mais cor, e o Sol mais luz

Alegre como um pregão, acordas sempre a cantar
E é tão linda a canção, do teu despertar
Em graça e esplendor, não tens no mundo rival
Lisboa querida, és a flor, de Portugal

 

Vais ver ó leitão
No teu exame final
Vais ficar mal, mandrião

Vais ficar mal
Cantar ò leitão
Este fado que é o teu
O mastoideu mandrião
O mastoideu

 

Olha o balão, na noite de São João
Para poder dançar bastante com quem tenho à minha espera
Ó-i-ó-ai, pedi licença ao meu Pai, e corri com o meu estudante
Que ficou como uma fera

Ó-i-ó-ai, fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ai, vou daqui pró bailarico
E tenho um gaiato aqui dependurado,
Que é mesmo o retrato do meu namorado

Toca o fungagá, toca o Sol e Dó,
Vamos lá, nesta marcha a um fulambó
Olha o balão, na noite de São João,
Para não andar maçado da pequena me livrei
Ó-i-ó-ai, não sei com quem ela vai, cá para mim estou governado
Com uma outra que eu cá sei
Ó-i-ó-ai, fui comprar um manjerico
Ó-i-ó-ai, vou daqui pró bailarico
Tenho uma gaiata aqui dependurada
Que tem mesmo a lata, lá da namorada

 

Vem cá minha agulha, tão meiga e tão fina
Beijar os teus lábios de açucar pilé
Então não me apanhas, sou esperta e ladina
E mais retorcida, que este croché

Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal
Brejeira, não sejas trafulha
Ó bela vem cozer o avental…
– 1ª – Ó paizinho, eu bem te disse que esta do “a” que não dava
– “a”
– Mas isso é o paizinho que tem um vozeirão.
– 2ª – Ai paizinho que esta agora ainda foi pior
– Ó filha deixa lá o avental e continua

… do amor

Ai chega, chega, chega, chega ó minha agulha
Afasta, afasta, afasta, afasta ó meu dedal
Brejeira, não sejas trafulha, oh não…
És a mais bela fresca agulha em Portugal

 

Senhoras, tão encantadoras
Tanta simpatia, quero agradecer
Senhores, se tiverem dores
Uma pneumonia, trato-os com prazer

Lisboa já tem, agora em mim um doutor
Para além de sábio, também, sou inventor
Lá estou para os ver, para os injectar, para os abrir
Para os retalhar, para os cozer, sempre a sorrir

A minha satisfação, o meu calor e prosápia
Estão nesta minha invenção, alegroterápia
Curar a valer, não é para mim conseguir
E então morrer por morrer, que seja a rir